Manifesto Porto08
1Março2008 – 17:00
fnac PORTO r.sta. catarina 73
carlos quiroga
SAÚDO AO PORTO
Boa tarde, Capital do Norte!
Boa tarde, Cidade Invicta!
Não vai ser este um saúdo “Basta pum basta!!!”
Não vai ser este um saúdo “Morra o Dantas, morra! Pim!”
Não venho lançar a denúncia patibular, lanço
um canto de embalar, requebrado de langor… metálico!
Um canto de embalar, no entanto, embalado em balas!
Neste 1 de Março de 2008, descem galegos até si próprios
porque existe finalmente um geração que não consente
deixar-se representar por um Dantas, morra! Pim!
Descem galegos com a pronúncia do Norte, que cantava
o Rui Reininho, descem com a pronúncia do Norte que é
a vossa. A nossa algo mais contaminada, certo, mas afinal
ainda dentro do mundo que forma a nossa família.
Descem galegos em trânsito, porque não ficam, descem em festa
mas voltam a casa, a nossa mas também a do mundo,
passamos por vós ao mundo e contamos, avisamos. Sempre
transitando. Abrimo-nos ao mundo passando por cá,
porque Portugal é o Porto, tira daqui o seu nome,
Portugal é o Porto, mas o Porto também é a Porta.
Obrigaram os galegos a fechar esta porta há tanto tempo
que pouca gente na Galiza se lembra que existe.
Nós sabemos, nós recordamos, nós mostramos.
Por isso anda pessoal desta geração a abrir portas, Portos.
Por isso a Gentalha do Pichel se lembrou de armar
esta Intervenção cultural galega nesta cidade próspera.
Não somos a Junta de Fraga nem de Tourinho, Dantas,
não temos o dinheiro oficial, não somos oficialmente
nada, os lusistas, reintegracionistas, nem reclamamos
a inteligência que até temos, deixamos para os Dantas,
entregues ao mundo oficial, para eles ser espertinhos.
Mas Basta pum basta!!!, de eles virem por nós!
porque existe finalmente um geração que não consente
deixar-se representar por um Dantas, morra! Pim!
Por isso reclamamos ao vivo com o nosso sex-apelo
superior, acima do novo vestir bem dos Dantas,
esses Dantas nossos que já não usam ceroulas de malha.
Descemos até à “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta“,
Vem a GZ recordar a Portugal o Gal, deixá-lo no Portu
para Portugal ter o seu nome completo, e nós voltar,
continuar, transitar, continuar a ser.
Na igreja da Lapa está o coração de D. Pedro IV
que o ofereceu à população da cidade em homenagem
ao contributo dado pelos seus habitantes à causa liberal.
Nós vimos deixar o nosso coração aqui
com os nossos Maus Hábitos, nos vossos Maus Hábitos,
para partir expedicionários à consquista de nós,
porque não existe causa mais liberal que a nossa,
porque nos damos por apoiados só por ouvirdes.
A gente desta cidade invicta ofereceu em 1415 toda a carne,
a outros expedicionários que partiam a outra consquista,
ficou apenas com as tripas, confeccionou daí um prato,
tirou daí um nome, uma fama, de que se alimenta ainda.
Nós não pedimos tanto e somos até mais vegetarianos,
mas a nossa conquista é mais subtil, difícil, solitária até,
porque é a conquista de nós, não queremos roubar Ceuta
–que é ao que iam aqueles expedicionários –,
queremos só recuperar-nos a nós, portanto obrigados,
damo-nos por apoiados só por por estardes aqui.
Portanto Basta pum basta!!!, o virem outros por nós dizer.
Cá estamos com valor, direito, talento,
e obrigados por estardes vós.